×

Pelo encravado: 5 coisas que te ensinaram a fazer e que só pioram

Pelo encravado: 5 coisas que te ensinaram a fazer e que só pioram

BSEditado por Bruno Schuck · BijuPrime

Você depila na quinta, e no domingo já tem aquela bolinha vermelha na virilha. Dolorida, com um pontinho escuro no meio. A vontade é de pegar a pinça e resolver ali mesmo, na frente do espelho. Quase todo mundo faz isso. E quase todo mundo passa a semana seguinte com uma marca escura no lugar.

Pelo encravado é um dos assuntos em que o conselho popular mais atrapalha. Boa parte do que se repete por aí resolve o susto do momento e piora o resultado em duas semanas. Vale separar o que é verdade do que é herança de conselho antigo.

Por que o pelo encrava, em uma frase

O pelo encrava quando ele nasce e não consegue atravessar a superfície da pele — ou porque foi cortado em ângulo e cresceu curvado de volta para dentro, ou porque a camada de células mortas por cima está espessa demais para ele furar.

Isso muda tudo na hora de decidir o que fazer. Se o problema é o pelo crescendo torto, o que importa é como você remove. Se o problema é a pele engrossada por cima, o que importa é o que você faz nos dias entre uma depilação e outra. Na maioria dos casos, é um pouco dos dois.

Pele mais escura, pelo mais grosso e pelo mais encaracolado encravam com mais facilidade — é anatomia, não descuido seu. Virilha, axila e a linha do maxilar em quem faz a barba são as regiões campeãs justamente por isso.

Os cinco que você pode parar de fazer hoje

1. Cutucar com a pinça para “soltar” o pelo. Esse é o mais difícil de abandonar, porque funciona — por cinco minutos. Você rompe a pele, tira o pelo, e entrega uma porta aberta para bactéria em uma região quente e abafada. O resultado costuma ser inflamação maior que a original e uma mancha escura que fica meses. Se o pelo já rompeu a pele sozinho e está visível na superfície, puxar com uma pinça limpa é outra história. Cavar para achar, não.

2. Esfoliar com força no dia seguinte à depilação. Esfoliação ajuda, mas o timing está invertido. Logo depois de depilar, a pele está com microlesões e sensível. Esfregar bucha ou esfoliante granulado ali vira irritação. O momento útil é dois a três dias antes da próxima depilação e nos dias intermediários — não em cima.

3. Passar álcool ou água oxigenada na bolinha. Resseca, irrita e não resolve a causa. A área fica mais áspera, e pele áspera é exatamente a condição que prende o próximo pelo.

4. Raspar na direção contrária ao crescimento para “ficar mais raspadinho”. Fica mais rente mesmo. E corta o pelo em ângulo, abaixo da superfície, com a ponta afiada virada para dentro. É a receita da bolinha da semana seguinte. A favor do crescimento rende um resultado um pouco menos liso e bem menos problemático.

5. Trocar de método toda vez que dá errado. Cera, lâmina, creme depilatório, cera de novo. Cada método machuca a pele de um jeito diferente, e alternar sem intervalo não deixa a região se recuperar em nenhum deles. Escolha um, dê a ele dois ou três ciclos completos com a rotina de cuidado certa, e só depois julgue.

Dica rápida

Bolinha inflamada agora? Compressa morna, cinco minutos, duas vezes por dia. Amolece a pele por cima e muitas vezes o pelo sai sozinho — sem pinça, sem marca.

O que funciona de verdade na sua rotina

A parte boa: o cuidado que dá resultado é curto e cabe na semana normal.

  • Esfoliação química, 2 a 3 vezes por semana. Produtos com ácido salicílico ou ácido glicólico para corpo afinam a camada de células mortas sem o atrito da bucha. É o que mais muda o jogo em virilha e axila.
  • Hidratante todo dia na região. Pele hidratada é pele flexível, e pelo atravessa pele flexível com mais facilidade.
  • Lâmina nova ou cera em intervalo regular. Lâmina cega puxa o pelo antes de cortar e aumenta a chance de ele voltar torto. Trocar a cada 4 ou 5 usos já faz diferença perceptível.
  • Roupa mais folgada nas 24 horas seguintes. Legging e jeans apertado logo depois de depilar prendem o pelo que está tentando nascer. Uma noite de calcinha de algodão e nada apertado é um detalhe pequeno com efeito real.
  • Paciência com a bolinha que já apareceu. A maioria some sozinha em uma ou duas semanas se você não mexer.

Se você convive com isso há anos e nada disso muda o quadro, existe uma saída de prazo mais longo: métodos que reduzem a quantidade e a espessura do pelo, como luz intensa pulsada ou laser em clínica. Não são solução instantânea nem servem para todo tipo de pele e pelo — mas atacam a causa em vez do sintoma, e para quem tem pelo grosso e encaracolado costumam ser o caminho que encerra o assunto.

Perguntas frequentes

Pelo encravado pode virar infecção? Pode, e é justamente por isso que cutucar é problema. Se a bolinha ficar quente, muito dolorida, com pus, ou se aparecerem várias juntas de uma vez, é hora de mostrar para um profissional em vez de tratar em casa.

Aquele pontinho escuro é sujeira? Não. É o pelo enrolado visível através da pele, ou o pigmento que ficou depois da inflamação. Esfregar não tira.

Depilar com cera encrava menos que lâmina? Costuma encravar menos, porque a cera arranca o pelo pela raiz e ele volta com a ponta mais fina. Mas cera mal feita, em pele seca ou com puxão na direção errada, encrava igual.

Quanto tempo até ver diferença? Com esfoliação química e hidratação constantes, normalmente dois ou três ciclos de depilação — algo entre cinco e oito semanas. Antes disso é cedo para concluir qualquer coisa.

Posso usar esfoliante no rosto e no corpo? Melhor não. A concentração de produto de corpo costuma ser mais alta do que o rosto tolera.

Cada pele reage de um jeito. Se você tem alguma condição diagnosticada, está grávida ou usa ácidos e medicação de uso contínuo, vale conversar com sua dermatologista antes de mudar a rotina.

Bruno Schuck edita o BijuPrime. Escolhe as pautas pelo que dá para fazer numa manhã corrida e corta tudo que promete resultado garantido.

Publicar comentário